quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As Grandes Maravilhas do Mundo ... Antigo

Você conhece as 7 Maravilhas do Mundo Antigo ? 
Elas são a alma do homem histórico que mostram através dessas construções a grande força da engenhosidade frente à falta de tecnologia moderna como as de hoje.
Vamos conhecer um pouquinho delas ? 

Colosso de Rodes


O Colosso de Rodes era uma enorme estátua do deus grego Hélios e que foi colocada na entrada da ilha grega de Rodes. Ela foi finalizada em 280 a.C. pelo escultor Carés de Lindospossuía 30 metros de altura e setenta toneladas de puro bronze, é interessante notar que qualquer barco que adentrasse a ilha passaria entre suas pernas, de vido a posição que tinha, sendo que ficava um em cada margem do canal que levava ao porto.
Na sua mão direita havia um farol que guiava as embarcações à noite. Era uma estátua tão gigantesca que um homem robusto não conseguia abraçar o seu polegar. Foi construída para comemorar a retirada das tropas macedônias que tentavam conquistar a ilha, e o material utilizado para sua confecção foram armas abandonadas pelos macedônios no lugar. 
Apesar de imponente, ficou em pé durante apenas 55 anos, sendo abalada por um sismo que a jogou no fundo da baía. Ptolomeu III se ofereceu para reconstruí-la, mas os habitantes da ilha recusaram por achar que haviam ofendido Hélios com a construção dela. E no fundo do mar ainda era tão impressionante que muitos viajaram para vê-la lá em baixo, onde foi esquecida até a chegada dos árabes, que a venderam como sucata.

Templo de Ártemis


Construído em Éfeso como homenagem à deusa grega da caça e protetora dos animais selvagens, Ártemis, o templo fora o maior do mundo. Várias pessoas de muitas origens vinham fazer oferendas no templo.
Com a conversão dos cidadãos da região e do mundo todo ao cristianismo, o templo foi perdendo importância e pereceu em 401 d.C, e hoje existe apenas um pilar da construção original em suas ruínas.


 Pirâmide de Gizé



Ao contrário do que muitos pensam é apenas a Pirâmide de Quéops (e não todas as três grandes Pirâmides de Gizé) que faz parte da lista original das Sete Maravilhas do Mundo. 
A Pirâmide de Quéops foi construída há mais de 4500 anos, por volta do ano 2550 a.C., e é também chamada de Grande Pirâmide de Gizé ou apenas Grande Pirâmide. A majestosa construção de 147 metros de altura foi a maior construção feita pelo homem durante mais de quatro mil anos, sendo superada apenas no final do século XIX (precisamente em 1889), com a construção da Torre Eiffel. A Grande Pirâmide de Gizé foi construída como tumba real para o faraó Khufu (que dá nome à pirâmide).

O curioso é que a pirâmide de Queóps já era a mais antiga dentre todas as maravilhas do mundo antigo (afinal, na época já fazia mais de dois mil anos que havia sido construída) e é justamente a única que se mantém até hoje.



 Estátua de Zeus


A estátua de Zeus em Olímpia foi construída no século V a.C. por Fídias, em homenagem ao rei dos deuses gregos — Zeus. A estátua, construída em ouro e marfim e decorada com pedras preciosas, possuía 12 metros de altura. Após 800 anos foi levada para Constantinopla (hoje Istambul), onde acredita-se ter sido destruída em 462 d.C. por um terremoto.
Essa é considerada sua obra-prima. Tanto os gregos amavam seus trabalhos que dizia-se que ele revelava aos homens a imagem dos deuses. Supõe-se que a construção da estátua tenha levado cerca de oito anos. Zeus (Júpiter, para os romanos) era o senhor do Olimpo, a morada das divindades. A estátua media de 12 a 15 metros de altura - o equivalente a um prédio de cinco andares - e era toda de marfim e ébano. Seus olhos eram pedras preciosas. Fídias esculpiu Zeus sentado num trono. Na mão direita levava a estatueta de Nike, deusa da Vitória; na esquerda, uma esfera sob a qual se debruçava uma águia. Supõe-se que, como em representações de outros artistas, o Zeus de Fídias também mostrasse o cenho franzido. A lenda dizia que quando Zeus franzia a fronte o Olimpo todo tremia. Quando a estátua foi construída, a rivalidade entre Atenas e Esparta pela hegemonia no Mediterrâneo e na Grécia continental mergulhou os gregos numa sucessão de guerras. Os combates, no entanto, não prejudicaram as realizações culturais e artísticas da época. Ao contrário, o século V a.C. ficou conhecido como o século de ouro na história grega devido ao extraordinário florescimento da arquitetura, escultura e outras artes. A estátua de Zeus foi destruída nesse mesmo século V a.C.


Farol de Alexandria


O Farol de Alexandria foi construído a mando de Ptolomeu I no ano 280 a.C. pelo arquiteto e engenheiro grego Sóstrato de Cnido. Era uma torre de mármore situada na ilha de Faros (por isso, "farol"), próxima ao porto de Alexandria, Egito, no alto da qual ardia uma chama que, através de espelhos, iluminava até 50 km de distância, daí a grande fama e imponência daquele farol. 
Com a exceção das pirâmides de Gizé, foi a que mais tempo durou entre as outras maravilhas do mundo, sendo destruída por um terremoto em 1375. Suas ruínas foram encontradas em 1994 por mergulhadores, o que depois foi confirmado por imagens de satélite.

Jardins Suspensos da Babilônia


Os Jardins Suspensos da Babilônia são as maravilhas menos conhecidas, já que até hoje encontram-se poucos relatos e nenhum sítio arqueológico foi encontrado com qualquer vestígio do monumento. O único que pode ser considerado "suspeito" é um poço fora dos padrões que imagina-se ter sido usado para bombear água. Foram construídos por volta de 600 a.C., às margens do rio Eufrates, na Mesopotâmia - no atual sul do Iraque. 
Os jardins, na verdade, eram seis montanhas artificiais feitas de tijolos de barro cozido, com terraços sobrepostos onde foram plantadas árvores e flores. Calcula-se que estivessem apoiados em colunas cuja altura variava de 25 a 100 metros. 
Para se chegar aos terraços subia-se por uma escada de mármore; entre as folhagens havia mesas e fontes. Os jardins ficavam próximos ao palácio do rei Nabucodonosor II, que os teria mandado construir em homenagem à mulher, Amitis, saudosa das montanhas do lugar onde nascera. Capital do império caldeu, a Babilônia, sob Nabucodonosor, tornou-se a cidade mais rica do mundo antigo. Vivia do comércio e da navegação, buscando produtos na Arábia e na Índia e exportando lã, cevada e tecidos. 
Como não dispunham de pedras, os babilônios usavam em suas construções tijolos de barro cozido e azulejos esmaltados. No século V a.C., Heródoto dizia que a Babilônia "ultrapassava em esplendor qualquer cidade do mundo conhecido". Mas em 539 a.C. o império caldeu foi conquistado pelos persas e dois séculos mais tarde passou a ser dominado por Alexandre, o Grande, tornando-se parte da civilização helenística. 
Depois da morte de Alexandre (323 a.C.), a Babilônia deixou de ser a capital do império. Começou assim sua decadência. Não se sabe quando os jardins foram destruídos; sobre as ruínas da Babilônia ergueu-se, hoje, a cidade de Al-Hillah, a 160 quilômetros de Bagdá, a capital do Iraque.

Mausoléu de Halicarnasso




O mausoléu de Halicarnasso foi o suntuoso túmulo que a rainha Artemísia II de Cária mandou construir sobre os restos mortais de seu irmão e marido, o rei Mausolo, em 353 a.C.. Foi construído por dois arquitetos gregos — Sátiro e Pítis — e por quatro escultores gregos — Briáxis, Escopas, Leocarés eTimóteo.
Hoje, os fragmentos desse monumento são encontrados no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum, na Turquia. A palavra mausoléu é derivada de Mausolo.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Conhecimento Geográfico : Do Empirismo à Razão - Parte II

(...)

Como foi abordado na postagem anterior, o conhecimento geográfico nasceu na idade antiga, no entanto era completamente desprovido de métodos científicos.
Na Idade Média o conhecimento geográfico embora ainda não sistematizado cientificamente, ganhou a implantação das técnicas, especialmente cartográficas, já que nesse período o espaço foi reorganizado a partir do grande aporte dos árabes com a interação cultural e o estabelecimento de novas relações com a natureza e com o espaço, que ganhavam dimensões desproporcionais com os impactos da falta de um método de pesquisa e estudo que abordasse os mais diversos elementos necessários ao saber geográfico.
Todavia, na Idade Moderna foi possível ver uma grande expansão do que se conhecia como o conhecimento científico, onde tudo era submetido à provas e verificações, e após isso era referendado ou não, tudo dependia da comprobabilidade.
Foi aqui que as concepções geográficas acerca da natureza e do espaço vivido sofreram um grande impacto mecanicista e altamente fragmentador. Este fato notavelmente atrapalhou a busca de idéias que convergiam à sistematização do conhecimento. Elementos eram perdidos, fatos não eram absorvidos, tudo por ver os sistemas como sendo uma simples soma das partes. O todo-complexo então passava despercebido, e as sentenças com certeza se tornavam falhas.
Essa realidade chegou com o nascimento da física clássica, onde a visão fragmentada estava a par do pensamento cartesiano, assim o todo só era compreendido pelas suas partes, e ainda, se analisadas separadamente. Isso gerou um processo de expansão do método que deu origem à uma ciência enferma, onde tudo parece estar em constante incompreensão, cheia de teorias imprecisas que não correspondem à nossa realidade, aos nossos maiores problemas.

Continua ... 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Povo do Pântano - "Bog People"



  É fato que contos e achados arqueológico de múmias já fazem parte da narrativa histórica da antiguidade. Mas ao se pensar em múmia pensa-se em Egito antigo, palco de vida das múmias mais famosas conhecidas até então. Entende-se que o Egito toma frente nessa narrativa pelo seu conhecimento na arte da mumificação e na crença religiosa de uma vida pós-morte que sustentou isso. 
  Mas não é só no Egito que existem múmias desbravadas pelos estudos de Arqueologia, pelo contrário, elas estão espalhadas no mundo todo, talvez descansando bem debaixo dos nossos pés.


Múmia peruana no Convento do Carmo, em Lisboa.
Múmia natural de Guanajuato, México.











  Outro exemplo disso são as múmias conhecidas como “ Bog People” ou Povo do Pântano, que são múmias ou corpos preservados naturalmente encontrados nos pântanos do norte Europeu, altamente conservados, sem a utilização da mumificação, apenas guardados pela natureza. Os corpos são mantidos através do tempo por causa da água muito ácida resultante da decomposição secular de algas pantanosas, a baixa temperatura e a falta de oxigênio no local também influenciam para o processo estabilidade decomposcional. 
Homem Tollund viveu no século 4 aC., a barba dele ainda continua visivelmente preservada.
  A pele, as feições, os órgãos internos e até mesmo os dejetos intestinais ficam notavelmente bem preservados, entretanto a acidez da água acaba por dissolver os ossos com a reação da água ácida e o fosfato de cálcio presente no esqueleto humano-animal.



Perfeição da unha ainda esmaltada da múmia
 





  Os primeiros corpos encontrados resultaram de uma busca policial por uma mulher desaparecida, e ao entrar no pântano se depararam com a incrível situação. 
  A maioria desses achados foi datada da idade do ferro há aproximadamente 2100 anos atrás, e a singularidade na maneira como esses corpos foram depositados no pântano sugerem algum tipo de ritual, fruto de sacrifícios humanos do paganismo germânico, inclusive no intestino de uma das múmias da Inglaterra foi achada varias sementes de pólen de uma planta utilizada nos rituais celtas da antiguidade inglesa.

Reconstituição Arqueológica da múmia

Homem Tollund viveu no século 4 aC.

  Por isso muito cuidado pra não se assustar quando se deparar com um fascinante achado desses, eles podem até estar descansando, mas o corpo deles fala e pode nos contar uma história ainda não conhecida pela humanidade.


Por: Eliakim Silva

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Interconectividade



“Na aurora do terceiro milênio, é preciso compreender que revolucionar, desenvolver, inventar, sobreviver, viver, morrer, anda tudo inseparavelmente ligado."

Edgar Morin

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

3ª Semana de Geografia - Amazônia : Cenários e Desafios


3ª Semana de Geografia - Amazônia : Cenários e Desafios
De 29 a 02 de Setembro 
UNIFAP

Mais recentemente, na Amazônia vem sendo debatido o desenvolvimento de projetos pautados no aproveitamento da biodiversidade, também sob tutela de pensadores e capitais externos à região.
Devido a esses, a temática " Amazônia : Cenários e desafios" é pertinente para pensarmos o tipo de desenvolvimento que queremos para a região.
Portanto, a contribuição da ciência geográfica consiste em pensamentos analíticos e críticos sobre variados assuntos, dos aspectos físicos a humanos, e concomitante à este, nos relacionamentos com diferentes áreas do conhecimento. A Geografia deve contribuir com o planejamento do espaço geográfico no sentido de promover a melhor utilização dos recursos da natureza e promoção do desenvolvimento social.

  • Segunda - Feira - 29/08
TARDE

Credenciamento : 14:00 às 17:00 
Local: Anfiteatro - UNIFAP

NOITE

Palestra: Território, Região e Políticas de Ordenamento: a questão dos conceitos.
Prof. Dr. Rogério Haesbaert - Geógrafo
Universidade Federal Fluminense - UFF
Hora : 18:00
Local : Anfiteatro - UNIFAP 



  • Terça - Feira - 30/08
TARDE
Mini - Cursos

1 - Naor de Souza Junior - UNASP 
Tema: Modelos em ciências naturais - Aspectos científicos e metafísicos.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

2 - Mariana Petry Cabral - IEPA 
Tema: Sítios Arqueológicos no Amapá.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

3 - Marcelo Gonçalves da Silva - INCRA 
Tema: Populações tradicionais e quilombolas no estado do Amapá.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

4 - Douglas Santos - PUC - SP
Tema: O significado de escola.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

5 - Beatriz Lima de Paula - UNIFAP 
Tema: Metodologias sócias de avaliação de áreas de risco.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

6 - Viviane Amanajás 
Tema: Usos e aplicações do GPS
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

NOITE

Palestra: Função Social das Unidades de Conservação.
Palestrante: Sueli Ângelo Furlan - USP
Hora: 18:30
Local: Anfiteatro - UNIFAP

  • Quarta - Feira - 31/08 
TARDE
Mini - Cursos

1 - Naor de Souza Junior - UNASP 
Tema: Modelos em ciências naturais - Aspectos científicos e metafísicos.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

2 - Mariana Petry Cabral - IEPA 
Tema: Sítios Arqueológicos no Amapá.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

3 - Marcelo Gonçalves da Silva - INCRA 
Tema: Populações tradicionais e quilombolas no estado do Amapá.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

4 - Douglas Santos - PUC - SP
Tema: O significado de escola.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

5 - Beatriz Lima de Paula - UNIFAP 
Tema: Metodologias sócias de avaliação de áreas de risco.
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

6 - Viviane Amanajás 
Tema: Usos e aplicações do GPS
Hora : 14:00 - 18:00
Local : Bloco de Geografia 

NOITE

Palestra : Filosofia das Origens.
Palestrante: Naor de souza Junior - UNASP
Hora: 18:30
Local: Anfiteatro - UNIFAP

  • Quinta - Feira - 01/09
TARDE 
Palestra : Zoneamento Urbano das Áreas de Ressaca de Macapá e Santana.
Palestrantes: Luís Roberto Takiama; Uédio Robds Leite -  IEPA
Hora: 14:00 - 18:00
Local: Anfiteatro - UNIFAP

NOITE
Palestra : Categorias e metodologias aplicadas ao ensino da Geografia.
Palestrante: Douglas Santos - PUC - SP
Hora: 18:30
Local: Anfiteatro - UNIFAP

  • Sexta - Feira - 02/09

TARDE
Apresentação de trabalhos científicos.
Hora: 14:00
Local: Anfiteatro - UNIFAP

NOITE
Palestra de Encerramento : Questões agrárias na Amazônia.
Palestrante: Ariovaldo Umberlino de Oliveira - Geógrafo
Hora: 18:30
Local: Anfiteatro - UNIFAP

Coquetel de Encerramento - CV - UNIFAP

ATENÇÃO: 
- Todas as palestras ocorrerão no Anfiteatro da Universidade
- Todos os mini-cursos ocorrerão no Bloco de Geografia. (Ao lado da cantina central)
- Você só poderá se inscrever em 1 (um) mini-curso na Terça - Feira e em 1 (um) mini-curso na Quarta-Feira, visto que eles ocorrerão no mesmo horário.
- A Inscrição custa apenas R$ 5,00. Estarão sendo feitas as inscrições na Cantina da UNIFAP a partir das 08:00 do dia 26/08 até às 17:00 do dia 29/08,  no Anfiteatro da Universidade.
- Serão emitidos certificados de 40 horas (pra quem preferir as Palestras + mini-cursos) e de 20 horas (pra quem optar somente pelas palestras). 






sexta-feira, 24 de junho de 2011

24 de Junho - Dia do Caboclo ... O CABOCLO - Amapaisagens, 1992 - Hélio Pennafort


O caboclo é capaz de remar horas a fio pela sinuosidade dos igarapés sem parar o remo, nem quando pega um remanso a favor.

O caboclo é inteligente a ponto de saber o momento certo de zagaiar o tucunaré, valendo-se, apenas, do rebujo do lago.

O caboclo é suficientemente sagaz para descobrira posiçãodo caranguejo escondido no lamaçal e defender a mão do aperto das unhas do bicho.

O caboclo é competente para dirigir uma embarcação nas agitadas marés da costa Norte, em plena escuridão, sem precisar de bússolas, ecobatímetros e radares.

O caboclo é mestre na estrovação do anzol e na preparação da malhadeira, instrumentos que facilitam a sobrevivência na beira dos rios.

O caboclo é exímio dançarino e tem resistência para ficar rodopiando com a dama a noite toda, num salão de paxiúba.

O caboclo arma seu matapí com uma paciência fora do comum e, quando coloca a última tala, ainda abre aquele sorriso que é só felicidade.

O caboclo sabe distinguir o olho da paca, do veado, da onça, e qualquer bicho, quando se aventura em caçadas noturnas nas grimpas solitárias dos pequenos riachos.

O caboclo sabe dedilhar viola, cantar seresta e dizer à cabocla amada que "a última vez que eu te beijei, me alembro claramente que era noite de luar".

O caboclo é bom de porrada, e o seu jeito de brigar ainda é aquele de meter a cabeça nas pernas do cara e jogar o corpo para cima.

O caboclo é humano, pacífico e explode de carinhos, ao entalar uma asa quebrada do jacamim de estimação.

O caboclo é respeitador e, se mexer com a moça alheia, casa logo.

O caboclo é bom de cana, nem cospe, e ainda lambe os beiços depois de empurrar meiota pelo gargalo de uma só vez.

O caboclo é crente, acostumado a rezar, e tufa o peito de fé quando aconselha na ladaínha do padroeiro que "um rosário de Maria / quem rezar com devoção / não morre sem sacramento / nem também sem confissão / assim disse Jesus Cristo / quando encontrou com Adão".

O caboclo é esperto e, se está perdido no mato, bate no tronco da sapopema para ser achado.

O caboclo tem um jeito próprio de assoviar que chama o vento, quando a calmaria no litoral não empurra sua pesqueira para a frente.

O caboclo é objetivo e se vê alguém bestando com uma mulher é capaz de dar como conselho um ..."trepa logo!".

O caboclo é apegado a tudo quanto é crendice e superstição e sempre se deu bem com isso.

O caboclo é arteiro. Acende um cigarro porronca no meio da ventania fazendo uma concha protetora com a mão esquerda, metendo o palito por baixo.

O caboclo tem pronúncia própria e, no embaralhamento sonoro das letras, troca o coeficiente pelo cueficiente.

O caboclo arma poesias sempre enaltecendo suas coisas, como a "cabeça da gurijuba / que é bom pra chuchu / mocotó de caranguejo / este antão abafu / e o trapiche da Vigia / bão! este que não é pitiú".

O caboclo é pávulo e, quando sai de uma festa, gosta de ver sua camisa branca suja de batom vermelho.

O caboclo não tem nada de besta e sabe que o que a mulher gosta, mesmo, é de muito caquiado, no embalar da rede.

O caboclo faz parte da Amazônia. Como o açaí, o boto, o tucunaré e a cobra grande.

Linguajá Caboclo 

Remanso : Trecho de rio em que não há corrente apreciável . 
Zagaiar: Jogar lança curta utilizada para pesca. Pescar com Zagaia.
Rebujo: Fenômeno Aquático como a preamar, correnteza, enchente, vazante.
Estrovação: Vem do verbo Estorvar (atrapalhar, impedir). Significa reforçar o Anzol.
Malhadeira: Tipo de rede de pesca bastante utilizada na amazônia.
Paxiúba: Espécie de Palmeira.
Matapí: Cesto cônico com abertura na base, utilizado para captura de Camarão.
Tala: Parte rígida tirada da folha de palmeiras, é utilizada para dar suporte a algo.
Paca: Mamífero roedor de pelagem castanha e malhas claras.
Grimpas: No alto, em cima. Ex: Na grimpa do morro. (no alto do morro)
Entalar: Colocar a tala em algo para dar suporte.
Jacamim: Tipo de Ave.
Sapopema: Tipo de Árvore
Bestando: Fazendo algo sem importância, inútil, à toa .
Trepa logo: " Transa logo "
Porronca: Cigarro feito de fumo na palha.
Gurijuba: Tipo de Peixe.
Pitiú: Cheiro característico, como o odor do frango cru, do peixe ..
Caquiado: Movimentos na dança feitos para impressionar.
Boto e Cobra Grande: Lendas indígenas conhecidas na Amazônia.

Poesia do Hélio , Linguajá Caboclo elaborado por mim.